#000009 – 21 de novembro de 2019
A folha branca não é o vazio.
É a ausência de um espelho. Um convite, uma provocação estática. É preciso a mancha gráfica para desenhar o abismo que nos olhará de volta.
Vertigem é querer agredir o vazio. Atirar-lhe culpas que nem percebemos. Chamar-lhe nomes, amaldiçoando o silêncio. O ruído que se esvai do íntimo faz-se tinta das nossas dúvidas. À folha poderemos, ofegantes, olhar a partir de um vazio aceso. Há que escavar, primeiro. Esvaziar entranhas e assumir o caos, como um pastor aflito com a urgente tentação de abandonar o rebanho para fugir da tempestade.
Diz a Barbara Tversky que é a ação que molda a mente.
Escrever é um movimento, o significado é uma consequência feliz.