#000014 – 26 de novembro de 2019
Yongey Mingyur também teve medo. Inspirado por Milarepa e pela tradição dos sadhus, fugiu pela calada do mosteiro em que vivia protegido e seguro. Na primeira noite num comboio apinhado tudo era novo. A itinerância é uma palavra elegante, quando podemos controlar o que e quando comer. Mas esta entrega ao mundo e à generosidade imprevisível dos outros é um amor vulnerável e radical.
Reabilitam-se os estoicos. Treina-se a mente. Estimula-se a criatividade com microdoses e faz-se retiros vipassana só para regressar à alta finança com uma vantagem competitiva. Um reverso curioso e talvez previsível. Fui um adolescente inconstante, com medo de buscar a ascese, não fosse calhar encontrá-la. Como no pensamento utópico, o bom é o caminho do ótimo. E uma imagem de perfeição não é a derrota, é a inspiração. Quero largar lastro, ser compassivo, oferecer-me ao mundo. E enquanto o medo me faz tremer passos maiores, que um abraço de cada vez me permita exercer a bondade.