#000016 – 28 de novembro de 2019

A rigorosa eficácia do kendo intensifica tudo. A emoção parece removida, a máscara a tapar qualquer expressividade. A arma sempre apontada, sem os artísticos volteios cinematográficos que nenhum samurai alguma vez usaria em combate.

Uma das equipas ganhava. Pais e colegas berravam, com a ferocidade da vitória eminente. Este era um dos torneios universitários mais importantes do Japão. Cada um dos combatentes vitoriosos regressava para uma euforia de abraços e congratulações. A energia do público incendiava o ânimo da jovem equipa.

Do lado perdedor, pouco a pouco, os que retiravam a máscara sentavam-se sobre os joelhos. Encontravam uma equanimidade digna e serena. Na equipa que ganhava, um dos praticantes sentou-se também, no mesmo silêncio interior.

E aos poucos, o silêncio contaminou o espaço à volta do dojo. Como num vazio a florir, perdedores e vencedores regressavam ao mesmo centro. Um equilíbrio, depois da paixão absoluta do combate. Perder e ganhar conceitos caducos, efémeros.