#000021 – 03 de dezembro de 2019

Os neurotransmissores são químicos. Dopamina e seratonia e muitas outras substâncias ligam neurónios como numa mancha de tinta que se espalha e contamina. É este banho químico que faz o nosso sistema nervoso funcionar e que liga emoções, memórias e comportamentos.

Somos uma experiência alquímica, um tubo de ensaio instável e mais ou menos previsível. Mesmo sem acrescentarmos drogas produzidas no exterior do nosso corpo, o nosso organismo flutua ao sabor desta mirabolante forma de comunicação.

Psicadélico é um desses usos livres de raízes gregas. Na correspondencia entre Humphry Osmond e Aldoux Huxley, este propôs o termo phanerothyme. O neologismo de Osmond, quis ele que significasse algo como a manifestação da alma. As experiências com drogas alucinogénicas, como o DMT e o LSD, são muitas vezes descritas como relevações, experiências com um impacto espiritual.

O que me intriga é esta possibilidade de os químicos não serem apenas reveladores, mas a própria linguagem da mente. Sem as substâncias que produzimos, nenhuma realidade, nenhuma percepção é possível.