#000022 – 04 de dezembro de 2019
A máquina de lavar roupa rumina uma atividade francamente maquinal. Sabe-me bem escutar este ruído, previsível e familiar. Recentemente escutei que o vocoder humaniza, precisamente porque é tão ostensivamente artificial. E nos faz lembrar tempos em que a nossa relação com a tecnologia era mais naif e espontânea.
Esta tendência talvez venha a ser reforçada. À medida que se aperfeiçoa a simulação do comportamento e do raciocínio humanos, identificaremos como próprio de máquina aquilo que não se distingue do humano. E, julgo quase inevitável, apreciaremos o lo-fi, o low-tech, o steampunk, e em geral as modalidades em que a tecnologia é visível, o mecanismo evidente e a fronteira com o biológico menos controversa.