#000024 – 06 de dezembro de 2019

Pensamento anómalo.
Internamentos, remoções orwellianas da presença de alguém no espaço público, vingança marital. Uma acusação de que certa mente se desvia do modelo de sanidade foi suficiente, em ditaduras e democracias, para afastar uma pessoa e a manter presa, sem forma de provar a sua sanidade. Num famoso estudo académico, investigadores foram internados e todas as tentativas de declararem a sua saúde mental foram recebidas pelos clínicos como sintomas da sua insanidade.

A mente é uma câmara de eco, um caldeirão de substâncias instáveis, um centro de controlo que é afetado pelo organismo a que preside. Diagnosticar a loucura alheia é um atrevimento necessário, por vezes, mas sempre arriscado. O que temos mais seguro, como padrão de humanidade, é a necessidade de viver com alguma harmonia, com os outros e com nós mesmos. E uma partilhada ânsia de reduzir o sofrimento, nosso e dos outros. Loucura é promover o sofrimento. Mais que isso não me atrevo a sugerir.