#000025 – 07 de dezembro de 2019
O Inverno parece acordar um trauma antigo, preservado na biologia. Sobrevivemos uma idade do gelo. Atravessámos Beríngia, quando o mar gelou. E na orogenia presente estão os vestígios da ação massiva de Laurentide. O frio é, segundo o dicionário, o desconforto causado por uma temperatura demasiado baixa para seres humanos. Produzimos energia para manter o conforto, a vida. O hálito, quando se torna visível, é quase como uma visão do espírito, que se esvai a cada fôlego. O fogo, que se pode transportar, iluminando, que se brande como ameaça a um animal, que se atira a uma floresta para abrir espaço a uma cultura, é a transformação da matéria para que se adeque a este espaço estreito, em que podemos sobreviver. Transformamos e destruímos. É estranha, mas nada de novo nos ecossistemas da terra, esta tragédia de sabotar a sobrevivência ao usar recursos para a assegurar. Pensar sobre isso produz nomes interessantes, como antropoceno. Mas, por enquanto, nenhuma mudança à escala necessária.