#000032 – 14 de dezembro de 2019

Kleist escreveu um ensaio que me tem acompanhado desde que o li, há anos. Nele, aconselhava a que se falasse com um amigo quando uma ideia importante parece habitar a cabeça, mas não conseguimos vê-la com clareza. Kleist diz que falar com um amigo permite, de facto, que a ideia se manifeste. Eu diria que a ideia só existe depois de se falar.

Escrevo para um leitor. Escrevo porque tenho perguntas. Porque quero descobrir o que não sei, escrevo. É um estranho monólogo. O silêncio atento de um futuro leitor permite que se manifestem coisas incriadas.