#000035 – 17 de dezembro de 2019
É fácil de acreditar que as histórias vieram antes de tudo. Que as palavras criaram o mundo. Diz um xamã, no livro do Kim Stanley Robinson, que quem conta as histórias é dono do mundo. Em 1984, em Sleepless e em inúmeras outras histórias, os poderosos eliminam da História os dissidentes e o seu pensamento. Os escritores são esses fugitivos do tempo. Os que se arriscam sempre a ver páginas queimadas e títulos banidos. Os que apontam a margem, assinalam a imprecisão das fronteiras, os que subvertem e reimaginam. Um contador de histórias acrescenta sempre um ponto. Um ponto de vista.