#000056 – 11 de janeiro de 2020
Os piratas iam a mando das potências coloniais assolar os mares. Tinham cartas de corso a sancionar o apoio dos reinados. A maior ambição de um pirata era ser reconhecido, ganhar um título de nobreza. A pilhagem era feita ao serviço de um monarca. A certa altura, os estados retiraram esse apoio. E alguns corsários continuaram a lucrativa atividade, agora por conta própria. Ficou esta imagem do oceano como um lugar sem lei onde românticos anti-heróis atacam a rede de influência dos poderes estabelecidos. Esta figura lendária do pirata em busca de fortuna é contraditória, pouco rigorosa e bastante interessante. Os transgressores são quem mais necessita de leis, porque nelas acreditam, o suficiente para obter benefício e satisfação. Este fascínio pelos maus rapazes e raparigas é uma confirmação da lei, um reforço do poder. Diz: estes são os que decidem desobedecer, são os que estão do lado sexy da lei.
A anarquia, por outro lado, não reconhece lei nem liderança. É o estado de civilização mais frágil e potencialmente mais sólido. Uma forma de partilhar liberdade.