#000073 – 28 de janeiro de 2020
Em Ecotopia, o norte da California, o Oregon e o estado de Washington separam-se dos Estados Unidos. A sociedade que foi imaginada por Ernest Callenbach vive da colaboração livre de indivíduos, de um foco na sustentabilidade e de um certo primitivismo. O que mais me pareceu utópico, no entanto, foi um detalhe. Ali, desapareceram aparentemente os papéis de cliente e funcionário. Há cenas em que o americano que está de visita (e que é o narrador) entra num serviço e está à espera de ser atendido de imediato, sem sequer se apresentar e cumprimentar a pessoa que o atende. Não funciona. Onde quer que vá, todos começam por lhe perguntar de onde vem, por dizer bom dia ou boa tarde. E nada avança até que recebam de volta cortesia, amabilidade, decência. As pessoas esperam ser tratadas como pessoas, não como peças eficientes. A loucura que alguns escritores permitem à sua imaginação não tem limites.