#000076 – 31 de janeiro de 2020
Uma amiga querida trouxe-me de Portland o meu livro favorito, assinado pela Ursula K. Le Guin. Eu, que nunca tinha valorizado autógrafos, comovi-me pela história daquela dedicatória. Ao ver o documentário sobre Le Guin, ali estava ela a fazer uma leitura na livraria onde se passou a conversa com a minha amiga. Diz ao Nuno que eu comecei o meu blogue inspirada pelo Saramago. Portugal e Portland. Jangada de Pedra e Ecotopia. Vim para a Grécia e morreu-me a mulher que escreveu histórias que me reinventaram. Dói-me saber que agora é possível contar todos os seus livros. Sou lento e hesito em devorar a bibliografia que quero infinita, inacabável. Há uma coragem feita de modéstia e desobediente firmeza que nos continua a fazer falta. Que haja ainda autores insubmissos, a resistir à redução de tudo a um servidor, a finanças, a marketing. Ursula K. Le Guin recebeu um prémio de carreira e perante todos os poderes manteve a sua voz lúcida e inspiradora. Não foi ali para se consagrar, mas para lembrar: “We who live by writing and publishing want and should demand our fair share of the proceeds; but the name of our beautiful reward isn’t profit. Its name is freedom.”