#000079 – 03 de fevereiro de 2020

Amanhã, junto-me de novo a outras pessoas para escrevermos todos na mesma mesa, com papel e caneta. Na semana passada contei-lhes como fui todos os dias até à Biblioteca Almeida Garrett no Porto durante o tempo de escrever um livro. E me sentava naquele maravilhoso quadrado, as quatro faces repletas de pessoas viradas umas para as outras, ao longo do amplo poço de luz. A longa janela horizontal a produzir uma faixa de verde, luz filtrada na ramagem das árvores. E as palavras saíam-me com mais facilidade, a solidão de repente recortada e introduzida num todo. Um ato coletivo, algo que ainda precisa de proximidade, da redução da distância até que a atmosfera se preencha com o som dos outros e uma paisagem de humanos à nossa volta. Isto é algo que a tecnologia digital não substituiu. Nestas coisas, computadores e redes servem apenas como forma de agendar o que importa.