#000089 – 13 de fevereiro de 2020
Tenzin Palmo foi eremita durante 12 anos. Foi viver numa caverna nas montanhas. Meditação, isolamento, escassez de comida e frio. Ingredientes simples de uma travessia inimaginavelmente difícil. Ao descer para o mundo, ajudou a mudar o budismo tibetano, no que toca ao papel das monjas (bhikṣuṇī), às suas aspirações de igualdade com os monjes (bhikkhus). Ainda na caverna, conta a monja a propósito da ligação com o seu guru, um nevão tinha-lhe bloqueado completamente a entrada da caverna. Com as mãos, começou a cavar com dificuldade. Foi avançando centímetro a centímetro, a neve a congelar, o organismo a aproximar-se da hipotermia, as forças de um corpo já frágil a esvairem-se. Pensou, vou aceitar que é este o meu momento. Vou meditar, para poder entrar no outro plano com uma mente tranquila, equânime. Percebeu que estava a desistir, quando ouviu claramente, na sua mente, a voz de Khamtrul Rinpoche. Disse-lhe o guru: Cava!