#000099 – 24 de fevereiro de 2020

O infinito não é uma quantidade. É um limite. Pode algo tender para zero. Ou para infinito. E quer o zero quer o infinito permanecem a uma distância impossível. Há infinitos contáveis e infinitos impossíveis de contar. Há números transcendentes. Há números imaginários. Há equações, simples, que guardam o segredo da complexidade: fractais. Há incógnitas e constantes. Primeiro disse Tomás de Aquino que nem Deus consegue criar um triângulo cujos ângulos internos somem mais que 180 graus. E depois, no início do século XIX, Gauss e Schweikart lançaram as sementes da demonstração que o que é impossível a Deus afinal está ao alcance da imaginação humana.

O nome geometria não-euclidiana é ainda um tributo a Euclides. Na ciência, o sim e o não são duas respostas igualmente respeitáveis. Wolfgang Pauli terá dito uma vez, de um artigo muito fraco, que “nem sequer estava errado”. O poeta persa Omar Khayyam foi um dos pioneiros, no século XII, de ideias que permitiriam repensar a geometria. Para os gregos era também a geometria a base da matemática, não a teoria dos números, como para os matemáticos modernos. Devemos estar gratos a tantos poetas e filósofos que fizeram a matemática avançar. A eles devemos um vocabulário fantasista, estimulante, sonhador.