#000105 – 01 de março de 2020
Plaka deixa-se iluminar pelo primeiro sol de Março. Estão vivos os caminhos feitos de escadas e recantos, telheiros e pátios. Os gatos passeiam-se com majestosa preguiça, as trepadeiras invadem esquinas e prosperam, as oliveiras reclamam solo. Desde a Ermou, subo a antiga escadaria, tavernas servindo raki e tsipouro a ladear a estreita passagem por entre riso humano, saciedade feita de queijo, pão, azeite e vinho. Viro à esquerda e depois à direita. Busco um trilho descoberto há uns meses. E perco-me por entre contradições e misturas, graffiti e arquitetura centenária, estética tradicional para turistas e edifícios em ruínas, casas recuperadas pelos abastados e casebres rudimentares. Passo por Agios Georgios tou Vrachou, a Igreja como um excesso de espiritualidade acrescentada à enorme rocha e até as contrastantes escalas das coisas me confundem. Aqui começam a surgir as cafetérias e restaurantes e os graffitis ganham a dimensão de murais. De Thissio até Plaka, a Acrópole é uma presença, uma ruína adiada. E a vida humana um mosaico descontínuo e vibrante. Escrevo um par de páginas do meu conto de fantasia. Hoje vou rever a BD. O som de pessoas ao sol vibra como uma ressonância irmã do meu coração.