#000111 – 07 de março de 2020

Há uma internet mais livre e segura a emergir.

Começa na consciência e na cidadania, com projectos como Forensic Architecture, o Citizen Lab, o Center for Humane Technology ou a Freedom of the Press Foundation. A implacável perseguição às fontes, exemplificada no tratamento dado ao Snowden, a Manning e a Assange exige uma nova defesa da liberdade de revelar e informar. A forma como regimes autoritários usam as identidades que as redes sociais fixam mostra a extrema vulnerabilidade online, que é preciso corrigir.

Continua nos serviços disponíveis, como o armazenamento na nuvem de “zero knowledge”, com serviços como o Sync ou o pCloud. Ou a boa tendência de encriptar dados em serviços convencionais como o WhatsApp. Há também serviços de email bem mais seguros no mercado como o Protonmail, o Hushmail ou o Mailfence. Há a possibilidade de navegar sem que os nossos dados sejam vampirizados e usados contra nós, com motores de busca como o DuckDuckGo ou o Startpage.

Há ideias boas que começam a ser levadas a sério.

O browser Brave coloca em prática a sugestão de Jaron Lanier e Yannis Varoufakis: que os utilizadores da internet recebam micropagamentos pelo valor que produzem. Em vez de ser apenas um produto, o utilizador é um parceiro económico.

O Fediverse, de que este blogue em que escrevo faz parte, é mesmo uma utopia em ação. Neste universo paralelo, os utilizadores fazem parte de uma rede de comunidades que se cruzam. Alguém no Mastodon pode seguir um blogue no Write.as sem ter aqui conta. Há já uma vasta expansão em curso, que incluiu serviços como o Friendi.ca e o Hubzilla. Qualquer um pode criar um novo serviço usando os protocolos do Fediverse e não está fechado numa bolha, nunca. Esta é uma rede federada, em que não há gigantes a quererem monopolizar a atenção e os recursos e a engolir todos os outros.

A própria forma de funcionar do telefone e do email impediu que as empresas restringissem a capacidade das pessoas de comunicar. Já os serviços como o Facebook funcionam como buracos negros culturais. E a vida acontece longe de tais vórtices. Perto, mas não demais, de uma estrela.